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A Nova Jornada do Consumidor e o Funil de Compra na Era da IA

  • Foto do escritor: Rui Martins
    Rui Martins
  • 23 de jun. de 2025
  • 4 min de leitura

Ao longo dos próximos dois anos, os volumes de busca tradicionais vão cair 25 %” — alerta a consultora Gartner, prevendo que agentes virtuais e chatbots alimentados por IA substituirão motores de bus convencionais. A SparkToro confirma que, em 2024, 58,5% das pesquisas nos EUA e 59,7% na UE terminam sem clique externo — o fenómeno conhecido por zero-click.


Ou seja: os cliques estão a desaparecer, mas as impressões continuam a crescer. Plataformas como Facebook, Reddit, YouTube, Instagram e TikTok já encaminham cada vez menos tráfego externo. Ferramentas IA fornecem apenas 0,2 % do tráfego que recebem. Ainda assim, os sites corporativos observam crescimento de visitas — prova de que os consumidores procuram, mas muitas vezes não concluem o processo dentro dos motores de IA.


Como devem evoluir as abordagens de SEO, branding e storytelling para continuar relevantes?


1. Storytelling para motores de IA


Os chatbots respondem, não clicam — e querem respostas apanháveis.


1.1. Conteúdo “snippet‑friendly”

  • Utilize parágrafos curtos, listas numeradas, tabelas e linguagem clara.

  • Títulos e subtítulos devem responder perguntas concretas.

  • Concentre-se no meio do funil — educação, esclarecimento, comparações rápidas.


Exemplo: Uma marca de cosmética cria FAQs como “Como escolher sérum para pele oleosa?”, com respostas simples. O conteúdo é facilmente citável por IA como Gemini ou Perplexity.


1.2. E‑E‑A‑T reforçado


Com a IA privilegiando fontes confiáveis, o E‑E‑A‑T torna-se crítico.


Exemplo: Um blogue de nutrição insere perfis de autores, cita estudos científicos e liga a universidades. Conteúdos com credibilidade têm maior probabilidade de ser destacados pela IA.


1.3. Marcação estruturada

  • Inclua FAQPage schema, HowTo schema e Article schema.

  • Indique sempre autor, data e fonte.


Exemplo: Um site de viagens adota FAQ schema e tutoriais “como fazer”. Desta forma, os bots IA conseguem extrair e resumir facilmente a informação.


2. Diversificar canais: conter a retenção de atenção


Tradicionalmente, esperávamos cliques a partir do Google. Agora, precisamos de marcar presença antes da decisão.


2.1. Redes sociais interativas e educativas

  • Vídeos curtos e stories que ensinem algo em 30‑60 segundos.

  • Lives com sessões de Q&A e quizzes.

  • Micro-influenciadores com audiência segmentada e engajada.


Exemplo: Uma fintech portuguesa cria vídeos no TikTok com explicações rápidas sobre “taxa de juro real”, aumentando o reconhecimento e direção espontânea.


2.2. SEO contextual e local

  • Otimização para search por voz (“melhor café perto de mim”).

  • Conteúdo “fora do motor”: newsletters, e‑books, webinars.

  • Presença ativa em Google Business, TripAdvisor, Yelp.


Exemplo: Um restaurante no Porto aparece nas pesquisas de assistentes como Alexa graças à otimização para “esplanada no Chiado”.


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3. Omnicanalidade conectada


A fragmentação exige uma EXPERIÊNCIA fluida e integrada.

  • Chatbots no site que reencaminhem para agentes reais quando necessário.

  • Promoções segmentadas para quem interage por IA (ex: "Código CHATGPT10").

  • Parcerias com portais de avaliação e fóruns para reforçar citações automáticas nas respostas IA.


Exemplo: Uma marca de moda permite adicionar ao carrinho via chatbot do Instagram. O cliente enterra com o mesmo carrinho no site — sem fricção.


4. Impressões crescem, cliques diminuem – um novo ROI


Os cliques diminuem, mas convertidos são mais qualificados.

  • Simplifique formulários e CTAs visíveis

  • Use remarketing inteligente e tracking omnicanal

  • Integre GA4 + UTM + dados de IA para compreender conversões e origem de tráfego


Exemplo: Um e-commerce reduz etapas de checkout de cinco para três, aumentando taxa de conversão em 27%, apesar da queda de tráfego em 12%.


5. Ferramentas & KPIs


Ferramentas aconselhadas:

  • BrightEdge, Frase, Ahrefs (avaliar visibilidade em IA)

  • Agorapulse, Sprout Social (gestão social integrada)

  • Google Search Console, GA4


KPIs essenciais:

  1. Impressões em SERPs IA

  2. CTR por fonte (IA vs orgânico vs social)

  3. Engajamento social (reach, interações)

  4. Sinais E‑A‑T (backlinks, citações)

  5. Conversões assistidas por IA

  6. Tempo médio em conteúdos chave


6. Storytelling estratégico que conecta


6.1. Identidade clara

Desenvolva personas de marca com voz própria

“A Sofia sempre teve receio de criar o seu negócio... até que encontrou uma forma de transformar a sua paixão em café num projeto inspirador.”

6.2. Micro-histórias no funil

Cada conteúdo é um capítulo:

Capítulo

Objetivo

1. Problema

Reconhecer a dor

2. Solução

Apresentar a proposta

3. Testemunhos

Dados e emoção

4. CTA emocional

“Partilha se te inspirou”


6.3. CTA emocional

Substitui “Clique aqui” por “Partilha esta revelação” para criar impacto emocional.


6.4. Autenticidade visível

Mostrar falhas, bastidores ou equipas reforça a confiança e humaniza a marca.


7. O lado humano numa era IA


Máquinas respondem — humanos encantam.

  • Formatos híbridos: webinars ao vivo com Q&A, workshops

  • Demonstrações personalizadas: marcar demos ou reuniões

  • IA orientada por humanos: usar ferramentas para descobrir tendências, não para substituir a conexão



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8. A nova jornada do consumidor na era IA


A jornada deixou de ser linear, mas sim não-linear e mediada por IA:

  1. Descoberta — busca via chatbot

  2. Envolvimento — micro-conteúdos sociais

  3. Comparação — IA resume reviews e ofertas

  4. Decisão — chatbot preenche formulário e aplica cupão

  5. Pós-venda — agentes virtuais acompanham o cliente


Inclui pontos fornecidos:

  • Mapeamento de micro-momentos como perguntas a IA

  • Foco em sinais de intenção (dados ilimitados)

  • Otimização para voz, chat, IA generativa


Exemplo: Uma seguradora sistematiza as perguntas frequentes do chatbot e transforma-as em artigos, vídeos e conteúdos educacionais para social, guiando o utilizador da dúvida à contratualização.


9. Caso prático


Cenário: Marca X (e‑commerce de utensílios de cozinha)

  1. IA identifica busca por “frigideira antiaderente sem PTFE”

  2. Cria guia FAQ + snippet-friendly

  3. Marcações schema ativadas

  4. Vídeo “como escolher em 30s” promocionado nas redes

  5. Cupão IA (“CHATGPT15”)

  6. Resultados: +45% impressões IA, CTR 8%, conversão 12%, ROI positivo


10. Futuro sustentável num mundo IA


10.1. Criação colaborativa

IA fornece insights; copy humano conta a história.


10.2. Fidelização > Aquisição

Programas de comunidade, conteúdo limitado, e eventos exclusivos.


10.3. Legislação e ética

Transparência no uso de IA; compliance com direitos de autor e fontes — conforme ICC e EASA.


10.4. Iteração contínua

Testes A/B, dashboards integrados, revisões semestrais com base em sinais IA e humanos.


Conclusão: Da obsessão pelo clique à construção de confiança


O declínio dos cliques nos motores tradicionais não marca o fim do SEO — apenas a sua transformação.


Adaptar-se significa criar conteúdos que:

  • sejam encontráveis pelas IAs,

  • memoráveis pela emoção,

  • acionáveis pelos utilizadores, mesmo sem clique.


A revolução dos LLMs é uma oportunidade: se contar histórias autênticas, integradas e inteligentes, as marcas não só sobreviverão, mas prosperarão. A era IA está a reescrever as regras — cabe-lhe escolher ser protagonista.


 
 
 

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