top of page

IA e Marketing Digital: Rumo ao Fim ou à Revolução?

  • Foto do escritor: Rui Martins
    Rui Martins
  • 23 de jun. de 2025
  • 3 min de leitura

A inteligência artificial está a reconfigurar o tabuleiro do marketing digital: perguntamo-nos se estamos perante o fim dos motores de busca tradicionais ou apenas o início de uma nova era.


As previsões são claras e inquietantes:

  • A Gartner estima uma queda de 25% no uso de motores de busca tradicionais até 2026, em parte devido à substituição por chatbots e agentes virtuais.

  • A SparkToro comprovou que, em 2024, mais de 59% das pesquisas no Google não resultam num clique externo.

  • Paralelamente, a Search Engine Land reportou que quase 60% das consultas chegam ao fim sem qualquer clique — o fenómeno zero-click.


Estes números retratam um cenário disruptivo: menos tráfego, menos cliques, menos publicidade tradicional. Mas será que esta é a narrativa completa?


O que o Zero-Click nos revela


O fenómeno zero-click não é apenas um obstáculo; é já o reflexo de um comportamento colectivo emergente.

  • Os utilizadores recebem respostas diretas nas SERPs ou em interfaces de IA, sem navegar pelo website.

  • Os motores passam a ser "answer engines" – plataformas que respondem em vez de direccionar.

  • Google implementa os chamados AI Overviews, resumos gerados por IA em destaque nos resultados, o que fortalece ainda mais o zero-click.

 

A consequência? As marcas deixam de competir por cliques e os profissionais devem lutar por atenção e reputação — mesmo quando o conteúdo é consumido sem visita direta.


IA como catalisadora da revolução no marketing


A ideia de que a IA eliminará a busca? É misto de medo e entusiasmo. Alguns desafios:

  • As IAs atuais ainda puxam resultados de motores tradicionais, mas resumem, filtram e escolhem.

  • O avanço da “agentic internet” – agentes IA que aprendem preferências e interagem pró-ativamente – estabelece uma nova forma de consumo .

  • A evolução técnica (custos de renderização, confiança nas respostas, indexação em tempo real) ainda está em curso.


Por isso, a questão deixa de ser “matar” os motores de busca e passa para “como reagir a esta nova realidade”.


Questões que os estrategas devem colocar


  1. O meu conteúdo é aplicável a um “resumo por IA”?

  2. Como posso aparecer nos resumos e manter autoridade?

  3. Como medir será que mais vendas vêm do zero-click?

  4. Como construir experiências que fluem entre IA, social e site?

  5. De que forma a IA pode personalizar e humanizar o relacionamento?


Estas perguntas não são apenas retóricas – devem guiar a próxima fase de investimento estratégico.


O que muda efetivamente no marketing?


1. Foco no zero-click marketing

Ao invés de chamar cliques, a aposta será no standalone value — conteúdo que educa, emociona e fica na memória, mesmo sem visita.


2. Reforço de EEAT

Expertise, Experience, Authoritativeness, Trustworthiness são princípios vitais para IA legitimar o nosso conteúdo.


3. Marcação e metadata robustas

Schema claro, artigos bem estruturados, autores identificados — facilitadores de compreensão das IAs .


4. Estratégias omnicanal coerentes

Receitas para voz, voz para web, web para chatbots, chatbots para social — tudo conectado.


5. Dados baseados em intenção

É necessário analisar logs de chatbots, interações em canais, micro-momentos, e não apenas estatísticas do site.


Um processo disruptivo, mas progressivo


A IA não trará um abismo, mas uma disrupção em camadas:

  1. Pesquisa por IA – 25% de migração até 2026, segundo Gartner.

  2. Comportamento fragmentado – mais zero-click, menos fidelidade ao modelo tradicional .

  3. Evolução dos formatos – AI Overviews e outras interfaces que respondem sem redirecionamento.


Porém, temos ainda o poder da memória e da confiança — e é aí que reside a nossa vantagem.


Conclusão disruptiva e construtiva


A inteligência artificial não acabará com o marketing digital — mas redefine a sua essência. O desafio é claro:

  • Aceitar que a atenção será dada sem visita.

  • Adaptar conteúdos para conversas recorrentes com IA.

  • Enriquecer experiências em múltiplas plataformas, mantendo a marca memorável.

  • Medir não só tráfego, mas intenções, impressões, citações e conversões indiretas.


No fim, a IA não é apenas uma ameaça — é uma oportunidade de reimaginarmos a nossa forma de comunicar, conectar e converter.


A pergunta é simples:

Estamos prontos para reinventar a nossa relevância, mesmo quando ninguém clica?


 
 
 

Comentários


bottom of page