top of page

CCO e CMO em 2026: porque a liderança em Comunicação e Marketing é hoje um fator crítico de diferenciação competitiva global

  • Foto do escritor: Rui Martins
    Rui Martins
  • 16 de jan.
  • 8 min de leitura

Atualizado: 18 de jan.

Quando comunicar e fazer marketing deixou de ser “suporte”

 

Há uma mudança silenciosa, mas profunda, a acontecer nos conselhos de administração e nas equipas de liderança das organizações com melhor reputação mundial. Já não se trata apenas de vender mais, comunicar melhor ou proteger a imagem em momentos de crise. Em 2026, comunicação e marketing reafirmam-se como funções centrais de criação de valor, gestão de risco e construção de confiança.

 

Num contexto marcado por inteligência artificial, pressão regulatória, desinformação, expectativas sociais mais exigentes e jornadas de compra cada vez mais fragmentadas, o CCO (Chief Communications Officer) e o CMO (Chief Marketing Officer) emergem como arquitetos estratégicos — não apenas executores de campanhas.

 

Este artigo parte de uma convicção baseada em prática profissional e evidência internacional: as organizações que integram comunicação e marketing no centro da estratégia são mais resilientes, mais credíveis e mais competitivas. E isso aplica-se a multinacionais, grandes empresas, PMEs, instituições internacionais e grandes ONGs — com intensidades diferentes, mas com uma agenda surpreendentemente semelhante.

 

O novo contexto competitivo: por que razão 2026 é um ponto de viragem

 

Nunca houve tanto investimento em tecnologia, dados e conteúdos. E nunca foi tão difícil ganhar atenção, gerar confiança e converter relevância em resultados reais.

 

Em 2026, seis forças moldam o terreno onde CCOs e CMOs atuam:

  1. IA e automação a pressionarem eficiência, escala e rapidez.

  2. Dados, privacidade e regulação a redefinirem os limites da personalização.

  3. Ruído, saturação e desinformação a corroerem credibilidade.

  4. Propósito, sustentabilidade e impacto social como critérios de escolha.

  5. Talento e cultura como vantagem competitiva difícil de replicar.

  6. Transformação digital e novos modelos de media a fragmentarem o funil de compra.

 

Este ambiente phygital — onde o físico e o digital se cruzam constantemente — exige algo que tecnologia nenhuma resolve sozinha: liderança estratégica capaz de dar sentido, coerência e direção.


comunicação e marketing

Contexto da liderança em Portugal: confiança, ESG e pressão estratégica

 

De acordo com o KPMG CEO Outlook 2025 – Portugal, os CEOs portugueses revelam um nível de confiança acima da média nas perspetivas de crescimento:

  • 86% estão confiantes no crescimento da sua organização nos próximos 12–24 meses.

  • 77% acreditam ter os recursos necessários para cumprir os novos requisitos de reporte ESG.

  • ESG, Inteligência Artificial e talento são identificados como prioridades estratégicas centrais, e não como meras obrigações de compliance.

 

Em paralelo, a adoção do ESG em Portugal está a acelerar, impulsionada por:

  • novas exigências regulatórias,

  • melhoria da qualidade dos dados ESG através da tecnologia,

  • maior pressão de investidores, clientes e colaboradores.

 

Ainda assim, subsiste uma lacuna crítica:muitas organizações cumprem o reporte ESG, mas têm dificuldade em integrar o ESG nas decisões estratégicas, na cultura organizacional e na experiência do cliente.

 

É precisamente aqui que a liderança estratégica do CCO e do CMO se torna decisiva.


Benchmarks estratégicos do mercado português

 

Portugal oferece provas concretas de que ESG, reputação e performance se reforçam mutuamente quando são estrategicamente governados e comunicados:

  • Grupo Nabeiro (Delta Cafés) lidera de forma consistente os rankings nacionais de ESG e reputação, demonstrando como a confiança sustentada dos stakeholders se traduz em força de marca e resiliência.

  • EDP Group mantém-se como uma das referências nacionais em ESG, alinhando transição energética, confiança dos investidores e credibilidade pública através de uma governação e comunicação consistentes.

  • Sonae e The Navigator Company são recorrentemente reconhecidas em benchmarks internacionais de clima e sustentabilidade, evidenciando como estratégia ESG, transparência e coerência narrativa sustentam a competitividade global.

 

Estas organizações não tratam a comunicação nem o marketing como funções de execução.


Tratam-nas como funções estratégicas de liderança, plenamente integradas na governação e no crescimento do negócio.


comunicação e marketing

 

A função estratégica do CCO em 2026: de “porta-voz” a arquiteto de confiança

 

Durante décadas, o CCO foi visto sobretudo como gestor de media relations, comunicação interna ou crises. Hoje, isso é manifestamente insuficiente.

 

Estudos de reputação e confiança, como os desenvolvidos pela Ipsos e por rankings como o RepTrak, descrevem o CCO moderno como arquiteto de reputação e confiança. Alguém que tem comprovada competência em:

  • Antecipar riscos sociais, políticos, regulatórios e culturais

  • Traduzir dados complexos em implicações estratégicas para o CEO e o Board

  • Garantir coerência entre discurso público, práticas internas e impacto real

  • Liderar propósito, ESG, cultura interna e engagement de stakeholders

 

Na prática, o CCO deixou de “contar histórias” para passar a fazer sense making estratégico. Isto significa ajudar a liderança a compreender o que está em jogo antes das decisões serem tomadas — e não apenas depois, quando já é tarde para corrigir incoerências.

 

CCO como gestor de risco sistémico

 

O reconhecimento da desinformação como risco global — sublinhado pelo Global Risks Report do World Economic Forum — reforçou o papel do CCO como gestor de risco sistémico. Transparência proativa, evidência verificável, alinhamento interno e rapidez de resposta tornaram-se competências centrais.

 

Em organizações de elevada reputação, o CCO entra antes da decisão: em fusões, reestruturações, mudanças de política, incidentes de risco ou posicionamentos públicos sensíveis. A comunicação passa a moldar a própria decisão estratégica.

 

A função estratégica do CMO em 2026: de gestor de campanhas a arquiteto de crescimento

 

Se o CCO ganhou estatuto como gestor de confiança, o CMO consolidou-se como arquiteto de crescimento.

 

Relatórios de consultoras globais como a McKinsey & Company mostram que as empresas que integram o CMO no planeamento estratégico apresentam crescimento de receita significativamente superior. Porquê? Porque o CMO moderno é responsável por muito mais do que publicidade:

  • Estratégia de cliente e customer experience

  • Orquestração da jornada phygital

  • Definição de portefólio, proposta de valor e canais

  • Integração de IA e dados ao serviço de resultados de negócio

  • Ligação entre marketing, vendas e retenção

 

Num funil não linear, feito de micro-momentos distribuídos por pesquisa conversacional, social commerce, loja física, vídeo e recomendações de IA, o CMO é quem garante continuidade, coerência e mensurabilidade.

 

IA e automação: eficiência sem perder alma (nem controlo)

 

A pressão por resultados com orçamentos sob escrutínio colocou a IA no topo da agenda. Mas as organizações mais maduras aprenderam uma lição essencial: automatizar não é abdicar de estratégia nem de criatividade.

 

World Federation of Advertisers refere que quase todos os grandes anunciantes globais já utilizam IA generativa em marketing. O foco deixou de ser apenas redução de custos e passou a ser crescimento, personalização e eficácia ao longo do funil.

 

Aqui, CCO e CMO têm um papel crítico:

  • Definir onde a IA acrescenta valor real

  • Garantir domínio interno das ferramentas, em vez de dependência cega de fornecedores

  • Proteger qualidade criativa, ética e coerência de marca

  • Assegurar que dados e consentimento orientam a personalização

 

IA sem governação estratégica gera ruído. IA com liderança gera escala inteligente.


comunicação e marketing

 

Dados, privacidade e regulação: confiança como condição para converter

 

O fim do funil linear transformou dados próprios (first-party data) num ativo estratégico. Ao mesmo tempo, regulação europeia mais exigente — como o DSA — e maior sensibilidade à privacidade elevaram a confiança a pré-condição da conversão.

 

Sem consentimento explícito e perceção de segurança, o cliente abandona rapidamente a jornada phygital.

 

Aqui, comunicação e marketing convergem de forma definitiva:

  • O CMO precisa de dados para ligar marketing a vendas reais

  • O CCO precisa de garantir transparência, ética e coerência pública

 

A personalização eficaz em 2026 não é a mais invasiva, mas a mais útil, relevante e respeitadora.

 

Relevância num mar de ruído: autoridade vence volume

 

Nunca se produziu tanto conteúdo. E nunca foi tão fácil ser ignorado.

 

A explosão de UGC (User-Generated Content), conteúdos genéricos e desinformação fez com que ser específico, útil e credível se tornasse condição para gerar consideração e avanço no funil. Falar para todos já não converte.

 

É por isso que SEO, pesquisa conversacional e autoridade semântica ganharam peso estratégico. Quem consegue ser resposta clara e confiável nos momentos certos obtém mais cliques, leads e visitas qualificadas — mesmo com menos impressões.

 

Aqui, o alinhamento CCO–CMO é decisivo: narrativa clara, consistente, verificável e orientada a pessoas reais.

 

Propósito, sustentabilidade e ESG: o fim do “propósito de fachada”

 

Em contexto de incerteza económica e social, marcas com propósito consistente funcionam como seguro de valor de longo prazo. Mas o mercado tornou-se implacável com incoerências.

 

O relatório “The Sustainability Imperative” da Nielsen mostra que uma maioria significativa de consumidores está disposta a pagar mais por marcas com responsabilidade social e ambiental comprovada.

 

Casos como Patagonia ou TOMS são frequentemente citados porque traduzem sustentabilidade em práticas, produtos e impacto mensurável — e comunicam isso com provas, não slogans.


Para CCOs e CMOs, a regra é clara: o que não é praticado será exposto. E o custo reputacional é direto.

 

comunicação e marketing

Talento, cultura e marca empregadora: estratégia começa por dentro

 

A complexidade do marketing e da comunicação em 2026 exige perfis híbridos: negócio, dados, criatividade e tecnologia. Esses perfis são escassos.


Por isso, atrair e reter talento tornou-se prioridade estratégica. Mas não se trata apenas de benefícios ou flexibilidade. Cultura e propósito são hoje fatores decisivos de escolha.

 

Quando equipas compreendem o propósito e sentem coerência entre discurso e prática, comunicam melhor. E quando comunicam melhor, geram mais confiança externa. A marca empregadora deixou de ser acessório; é parte integrante da reputação.

 

A integração CCO–CMO: uma narrativa, uma estratégia, uma liderança

 

As organizações com melhor reputação mundial convergem num ponto: marca corporativa e marca comercial já não vivem separadas.

 

Estudos da Edelman mostram que CCOs participam cada vez mais cedo nas decisões estratégicas, enquanto CMOs trabalham lado a lado com outros C-levels para alinhar dados de mercado, confiança, propósito e crescimento.

 

O resultado é uma narrativa única, com governança comum e métricas partilhadas:

  • Confiança

  • Preferência

  • Reputação

  • Retenção

  • Crescimento sustentável

 

Não é comunicação “depois da decisão”. É comunicação como parte da decisão.

 

Diferentes organizações, prioridades distintas — mas uma agenda comum a nível de comunicação e marketing

 

  • Multinacionais e grandes empresas: IA, dados, regulação e reputação no topo.

  • PMEs: talento, digitalização pragmática e sustentabilidade financeira.

  • Instituições internacionais e grandes ONGs: propósito, confiança pública e impacto social ao mesmo nível da adoção tecnológica.

 

O denominador comum é claro: o que está no topo da agenda é o que mais influencia receita, risco e confiança ao longo de uma jornada fragmentada.

 

comunicação e marketing

7 takeaways estratégicos de comunicação e marketing para líderes em 2026

  1. Comunicação e marketing são funções de liderança, não de suporte.

  2. IA sem governação estratégica gera ruído; com liderança, gera escala.

  3. Dados só convertem quando existe confiança e consentimento.

  4. Relevância vence volume num ecossistema saturado.

  5. Propósito sem prática destrói reputação; impacto mensurável constrói valor.

  6. Talento e cultura são ativos estratégicos de diferenciação.

  7. A integração CCO–CMO é hoje condição para crescimento sustentável.

 

Conclusão — liderar é dar sentido antes de comunicar

 

Depois de muitos anos a trabalhar com empresas, instituições e organizações de diferentes geografias e setores, uma coisa tornou-se clara: as marcas mais fortes não são as que falam mais alto, mas as que ajudam as pessoas a fazer sentido do mundo.

 

Em 2026, CCOs e CMOs que assumem este papel — com proximidade ao CEO, visão estratégica e coragem para dizer “não” quando necessário — tornam-se verdadeiros arquitetos de confiança, crescimento e resiliência.

 

E num mundo fragmentado, polarizado e acelerado, essa pode ser a maior vantagem competitiva de todas.

 

Referências:

 

 

 
 
 

Comentários


bottom of page